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19 de jan de 2010

Folha de São Paulo: Formação de professores - vagas ociosas nas universidades públicas

São Paulo, terça-feira, 19 de janeiro de 2010



É preciso conceder incentivos para os interessados, diz pesquisador

DA REPORTAGEM LOCAL

A ociosidade de vagas públicas para formação de professores é um dos melhores exemplos da crise que vive o magistério, diz o pesquisador da Unesp João Cardoso Palma Filho. "A situação é tão ruim que nem vaga gratuita o pessoal quer." Palma Filho, membro do Conselho Estadual de Educação, defende que o poder público conceda incentivos diretos, como bolsas, aos estudantes que escolham essas carreiras.
(FÁBIO TAKAHASHI)

FOLHA - Por que sobram vagas até em cursos públicos para formar professores?
JOÃO CARDOSO PALMA FILHO - A carreira do magistério é pouco atrativa para o jovem. Ele vê notícias de que a profissão está ruim, os professores ganham mal. O próprio professor dele reclama, os sindicatos criticam as condições de trabalho. Com esse panorama, que em geral é real, o estudante não se sente atraído para a área. A situação é tão ruim que nem vaga gratuita o pessoal quer. Nas capitais não costumam sobrar vagas públicas, mas a relação candidatos por vaga nos vestibulares vem caindo rapidamente. Se continuar assim, em breve, pode haver ociosidade inclusive em São Paulo.

FOLHA - Como mudar a situação?
PALMA FILHO - No curto prazo, é preciso conceder incentivos reais aos alunos que estão terminando o ensino médio e decidam ir para os cursos do magistério. Podem ser bolsas de estudos, recursos para alojamento, alimentação, materiais. Mesmo nas universidades públicas, em que os cursos são gratuitos, os alunos precisam de dinheiro para se manter.

FOLHA - Qual impacto terão projetos como piso nacional para docentes e reajuste salarial com base em uma prova [implementado em SP]?
PALMA FILHO - Se forem bem implementados, são boas tentativas para o longo prazo. Podem atrair mais gente para o magistério. Mas há sempre o risco da descontinuidade. Uma mudança que precisa ser feita é nos próprios cursos de formação, principalmente nas licenciaturas. Há muita carga teórica e específica daquela matéria, mas pouco aprendizado de como transmitir os conhecimentos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Gostaria de saber o porque de não permitir ao professor acumular a terceira matricula,já que os salarios são extremamente baixos e geralmente ele possui tempo disponivel,pois trabalha 4horas por turno e pode aproveitar três turnos.